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A IMPORTÂNCIA DO VÍNCULO PROFESSOR E ALUNO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
13/04/2018

A IMPORTÂNCIA DO VÍNCULO PROFESSOR E ALUNO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A IMPORTNCIA DO VÍNCULO PROFESSOR E ALUNO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

No contexto da educação infantil, o vínculo criado entre educador e criança é tão importante quanto outros parâmetros considerados primordiais pelos referenciais de qualidade. É por meio da construção de uma relação afetiva acolhedora que a criança se sente segura e disponível para as atividades entre pares e o consequente desenvolvimento de suas possibilidades.

O vínculo é uma relação afetiva preferencial que se estabelece entre o aluno e seu professor. A medida que cresce, a criança amplia o forte apego dos primeiros anos de vida aos pais para outras pessoas e o apego passa então a ser chamado de vínculo. Nesse contexto, o vínculo é uma relação em que o professor passa a ser uma espécie de amigo preferido no espaço escolar.

O vínculo é, sim, uma relação afetiva, mas não significa bajular, dar beijos ou passar a mão na cabeça da criança, no sentido da superproteção, mas fazê-la sentir-se segura, valorizada e acolhida no ambiente escolar.

É fácil perceber se há vínculo entre a criança e seu educador. A busca de proximidade é o maior sinal de que o vínculo foi instaurado. Há vínculo se a criança procura o professor, confere suas dúvidas com ele. Se ela evita o professor e fica retraída em sala é porque não tem nele seu porto seguro.

Segurança no novo!

Outra evidência da presença ou da falta de vínculo é a vontade que a criança tem de ir à escola. ?O normal é que a criança ame ir à escola. Se chora e não quer ir, há um desajustamento que pode significar a falta de vínculo. A criança não se sente protegida, acolhida?, diz Silvia Colello, professora de psicologia da educação da Faculdade de Educação da USP.

Uma das funções do vínculo é exatamente dar a sensação de proteção e conforto para a criança, cujo primeiro impulso é transferir para o professor a relação de segurança que teria com a mãe. Nesse momento, o educador é o mediador afetivo da criança nesse espaço escolar, e quem facilita sua adaptação.

No caso de uma criança que chora e não quer entrar no ambiente desconhecido, quando estabelece esse vínculo afetivo, ela passa a entender que neste espaço o educador cuida, protege e sana suas necessidades, ele é o substituto da mãe.

O primeiro papel do vínculo é favorecer a adaptação da criança na creche ou na escola, mas não se encerra por aí. Um segundo aspecto é a mediação com o conhecimento.

O educador lida com esta acolhida afetiva que a criança tem de ter e, por outro lado, com a ampliação dos horizontes e a aquisição de novos conhecimentos.

A creche ou a escola são mundos muito novos e distantes da realidade vivida pela criança até ali. Há outras regras, horários, espaços e modos de funcionamento, assim como estímulos diversos ? de socialização, habilidades motoras, artísticos e contato com a língua. 

O educador viabiliza a entrada da criança em todo este universo do conhecimento. Se há no espaço escolar todo um mundo a descobrir, a criança precisa do vínculo para sentir que o espaço é afetivo e lidar bem com os novos desafios.

Mesmo os primeiros processos que envolvem a aquisição da leitura e da escrita podem ser comprometidos se não há vínculo. O professor da educação infantil pode adotar uma ação sistemática de promover experiências significativas de uso da língua. A ação do educador deve ter duplo papel: o que faz em si, em sala de aula, e a orientação que pode dar aos pais a respeito de bons estímulos em casa.

Além disso, quando o professor estabelece um vínculo afetuoso com a criança, ele passa a ser visto como modelo por ela. Uma das formas de aprender é pela imitação. Somos seres sociais, aprendemos com o outro.

A proximidade com o professor faz com que a criança o tenha como modelo e queira ser como ele. E o que esse professor quer ensinar tem relevância ? não é qualquer um que está ensinando, é o professor de que a criança gosta.

Se a existência do vínculo favorece a criança em diversos aspectos, a sua falta pode comprometer o desenvolvimento infantil na mesma proporção.

Nesse caso, a criança pode se conter e deixar de desenvolver suas possibilidades: se tem uma dúvida, não vai perguntar; possivelmente terá baixa interação com as outras crianças e ficará afastada do grupo; sua autoestima poderá ser comprometida e a criatividade afetada por medo de se expor. Bebês e crianças menores poderão ter aspectos motores prejudicados, tanto na coordenação ampla ? o andar, o correr, o pular ? quanto na coordenação fina ? do desenho, da escrita. Tudo isso compromete o desenvolvimento cognitivo da criança e pode comprometer sua vida escolar.

A responsabilidade não deve recair somente nos ombros do professor. A criança também estabelece um vínculo com o ambiente escolar. Nesse ambiente, além do professor, há os outros alunos com quem a criança vai se relacionar os espaços físicos em que ela transita e toda a rotina da escola, que pode ou não favorecer o vínculo.

Se o ambiente é colorido, tem brinquedos, uma área de lazer, a criança vai gostar de ficar ali. Tudo isso vai colaborar com a construção do vínculo.

Para não deixar a construção de vínculo entre alunos e educadores ou mesmo entre a criança e sua escola à sorte ou ao acaso, há uma série de atividades que ajudam a promover esta relação.  

A brincadeira é a chave de todas elas. O empreendimento da criança é o brincar. Ela brinca seriamente.

Se o professor embarca na proposta dela e complexifica a atividade, trazendo outras formas de diversão, vai ganhar a criança. A brincadeira garante que o vínculo seja instaurado. É preciso brincar, mas no sentido lúdico: de ser prazeroso, de estar disponível e de ser parceiro ? e não apenas ?fazer de conta?, já que o aprendizado vem como decorrência da brincadeira: 

Um segundo fator é a responsividade, ou seja, estar atento para responder à criança de maneira apropriada e presente. É um sinal de que aquela pessoa está disponível para ajudar.

O cuidado que o professor demonstra ter com a criança. São atividades como dar a mamadeira ou trocar a fralda que promovem a interação especialmente com crianças pequenas.

Quanto mais nova a criança, mais ela escolherá o professor como referência, antes mesmo dos colegas; nessa relação de cuidado afetivo, é importante estar atento para as demandas e respostas infantis.

Fonte: http://www.revistaeducacao.com.br

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